Alvará de Consentimento Conjugal (por Elizabeth Gilbert adaptada por Lois)


 

 

Estou lendo o livro ‘COMPROMETIDA’ de Elizabeth Gilbert e tenho que dizer que minha admiração pela autora é cada vez maior. Gosto muito da maneira como ela escreve e como ela ‘se coloca’ em seus relatos. Lendo este livro acabo tendo inúmeros momentos de auto-reflexão que, podem, na verdade, devem se transformar em postagens para nossa revista. Elizabeth relata sua resistência ao casamento, mas o destino quis que ela tivesse que se casar novamente (calma … ela ama este homem com quem vai se casar….. só não queria casar com ele, mas vai que casar …. não vou explicar o que aconteceu, comprei o livro e leiam, vale cada centavo) e ela resolveu criar o que chamou de Alvará de Consentimento Pré- Conjugal, um documento maluco, imaginado por ela, no qual ela escreveu detalhadamente todos os seus defeitos e as conseqüências terríveis que estes poderiam causar em qualquer relacionamento dela com alguém. Então, ela o leu em voz alta e esperou a reação dele. Se fosse possível, o alvará estaria aprovado e eles se casariam.

Bom, já sou casada, mas pensei em preparar um documento desta natureza para o meu digníssimo marido. O que era uma brincadeira acabou se tornando algo muito, muito mais difícil do que eu pensava. Primeiro porque é mais fácil pensar no defeito dos outros (eu enumero os deles rapidinho, rapidinho), mas pensar nos nossos é bem mais desgastante. Além disto, para cada defeito que pensava, minha mente automaticamente gritava por uma desculpa qualquer (eu sou assim, mas também quem não seria nesta situação) ou um comportamento compensatório (eu sou assim, mas tem um outro lado, que compensa). Outra coisa importante é esta coisa que a sociedade impõe que temos que superar nossos defeitos … mas isto eu aprendi com a amiga Elizabeth, tem coisa que não dá pra superar… eu sou assim porra, a vida me fez assim, eu tive que ser assim para sobreviver. Superado os obstáculos iniciais, seguimos para o documento propriamente dito:

ALVARÁ DE CONSENTIMENTO CONJUGAL – PARA CASAMENTOS EM EXERCÍCIO

Prezado marido em exercício,

Segue abaixo a lista de meus defeitos mais medonhos. Espero que os analise e dê seu parecer jurídico a respeito. Espero que considere que as compensações a estes defeitos não expressas neste documento, mas podem ser consideradas através das memórias das experiências vividas até então.

1) Tenho uma auto-estima muito, muito elevada. Geralmente creio que o que é meu é meu, será sempre meu até que eu não queira mais.

2) Tenho o dom (ou a maldição) de articular a linguagem. Devo ser capaz de articular debates e argumentações desde que ainda tomava leite na mamadeira. Com esta habilidade, desenvolvi também a capacidade de ferir as pessoas com as palavras. Também desde pequena conseguia desestruturar os mais astutos adultos com comentários simples e perspicazes (sei que você sabe do que se trata, porque você vivencia isto com nosso filho também).

3) Em busca de ‘frear’ o dom citado no item 2 acima, desenvolvi outro grande defeito. Eu me calo, literalmente imagino uma fita crepe gigante em minha boca que me impede de falar o que estou pensando. Às vezes me calo tanto que pareço estar distante e não me importar. Na verdade, faço isto para causar menos estragos. Minha mente está funcionando a mil por hora, mas meus olhos e meus lábios demonstram total falta de atividade.

4) Sou explosiva. Quando faço uso do item 3 por um longo período de tempo, acabo explodindo (tende a acontecer de 6 em 6 meses) e quando digo explosão, pode mesmo pensar mesmo em dinamite, pólvora, nitroglicerina e outros componentes.

5) Sou teimosa. Posso até fazer de conta que aceito estar errada em relação a algo, mas no fundo, sempre me acho certa.

Considerando os itens 1, 2, 3, 4, e 5 concluo o referido documento e aguardo seu posicionamento.

Lois Lane (Esposa com 5 defeitos terríveis, mas que te ama)

1 Comentário to "Alvará de Consentimento Conjugal (por Elizabeth Gilbert adaptada por Lois)"

  1. CRISTIANE disse:

    MARAVILHOSO

Deixe um comentário