
Ainda não tenho filhos, mas se tivesse ou tiver uma filha nunca a aconselharia a se casar virgem, e nem com o primeiro homem da sua vida. Não creio que seja fácil para os pais a iniciação sexual dos filhos, sobretudo a de uma menina, ainda que já estejamos no século XXI. Não creio também que eu vá falar para minha filha transar com qualquer um.
O que eu quero dizer aqui é que nenhuma mulher merece ser ‘mulher de um pinto só’, como eu costumo brincar com a minha mãe, que é, como quase todas as mulheres da geração dela, casadas desde seus 20 e poucos anos com o mesmo marido são. Ela nunca reclamou pra mim, acho que ela é feliz assim, foi criada assim, essas coisas. Também não acho que ela iria se abrir com a filha sobre isso. Ela nunca me disse também para casar virgem, mas também não disse que não era. Para o meu pai acho que isso era mais importante. Falo aqui mais da criação de filhas mulheres porque acho difícil que um garoto se case virgem nos dias de hoje. A educação sexual deles sempre foi mais fácil, e hoje eles transam com as namoradas, com as ‘ficantes’, e mesmo com as garotas de programa que estão aí pro que der e vier. Não há grandes dramas familiares com relação a vida sexual dos garotos, só cuidando para usar camisinha, tanto para a questão da gravidez precoce, como, principalmente, para a questão de doenças sexualmente transmissíveis.
Quando era pré-adolescente ganhei um livro sobre sexualidade da minha mãe, aquela coisa básica, com desenhos, mas hoje vejo como foi legal essa iniciativa dela. Essa tentativa de ‘quebrar o gelo’. Sei que ela teve uma criação em que nenhuma palavra em relação a isso era dita aos filhos, quanto mais às filhas. E, do jeito dela, ela estava tentando uma aproximação. Quando comecei a namorar sério, bem jovem, ela veio me dizer algumas coisas sobre sexo. Aconselhou-me a tomar anticoncepcional e só, mas também achei muito louvável da parte dela, não me exigir virgindade e só me cobrar cuidados. Meu pai nunca abriu a boca pra falar nada sobre isso, acho que pensava ser obrigação materna a educação sexual das filhas.
Infelizmente, o sexo com esse meu primeiro namorado nunca foi assim uma maravilha, mas como eu não sabia o que era bom, acabei achando que era assim mesmo, e ainda tinha aquela idéia romântica de casar com o meu primeiro homem e que quando a gente se casasse as coisas melhorariam, e assim foi. Casamos e não preciso nem dizer o quanto o sexo é importante no casamento e que, com o sexo ruim, o casamento durou pouco mais de um ano. O sexo em si já é fundamental em um casamento, mas o pior é o abismo que sua falta cria entre o casal. De repente éramos dois amigos, ou dois estranhos, não mais marido e mulher, e aquela solidão a dois se instalou entre nós. Caí fora e conheci o sexo de verdade.
Casei-me pela segunda vez com um homem que, além de amar, é bom de cama. Agora eu sabia o que queria. Sexo ruim never more. Mas antes deste meu segundo casamento eu tive outros homens e assim fui conhecendo o que gostava, o que não gostava, e tudo foi experiência válida para ser quem eu sou hoje. E eu, hoje na casa dos 30, não me troco por quem eu era aos 20 anos. Acho que sexo com intimidade e amor é o melhor dos mundos. Mas o fato é que a paixão, ou ainda o romantismo de se casar com o amor da sua vida, que uma menina pode achar que o seu primeiro namorado é, vai privá-la de ter muitas experiências que a ajudarão a crescer e a se conhecer melhor como mulher e a saber do que realmente gostam sexualmente. E, como hoje não há mais aquela história de ser ‘galinha’, como na minha época de adolescente, a minha dica é que a meninada dê mesmo, sem medo de ser feliz, até encontrarem o amor da sua vida! Pode ser que ainda assim não dê certo o relacionamento (sexo é ótimo, mas não é tudo), mas mulher de um pinto só, eu realmente não acho uma boa ideia!!!


Yes… i also really like to visit this new place, your idea is good.